PLACAR FINAL

PLACAR FINAL – Zagallo e Beckenbauer partem

Mas deixam um Legado Inesquecível

O mundo do futebol está de luto, duas lendas do desporto, Mário Zagallo (92 anos) e Franz Beckenbauer (78 anos), deixaram-nos na primeira semana de 2024. Zagallo, um ícone do futebol brasileiro, faleceu a 5 de janeiro, seguido por Beckenbauer, também ele uma lenda do futebol alemão, a 7 de janeiro.

Ambos deixaram um legado que transcende gerações, tendo a sua ligação com o desporto rei sido não só como jogadores de alto nível, mas também como treinadores que ficaram na história.

ZAGALLO
O VELHO LOBO do número 13

Nascido em Maceió, Alagoas, em 9 de agosto de 1931 – uma data que sempre interpretou como um 13 invertido – chegou ao Rio de Janeiro com apenas oito meses de idade. A família estabeleceu-se nas ruas da Tijuca, Zona Norte da cidade, perto do efervescente América. Ao longo das calçadas da Praça Afonso Pena, o jovem expressou seu amor pela bola e, destemido, decidiu que seu destino seria tornar-se jogador de futebol, o desafio estava em convencer seus pais, Haroldo e Maria Antonieta.
Na década de 1940, seguir uma carreira no futebol não era visto com bons olhos, no entanto, com a intervenção o irmão mais velho, lá conseguiu. Em 1948, integrou as fileiras juvenis do América, clube ao qual seu pai era filiado. Entre sessões de treino e jogos, Zagallo encontrava tempo para visitar a sede social, foi aqui num dos animados bailes de fim-de-semana que ele cruzou caminhos com Alcina, sua futura esposa. Com ela, o número 13 tornou-se um elemento crucial em sua vida.
Alcina, fervorosa devota de Santo António de Lisboa, cuja celebração ocorre em 13 de junho, transformou Zagallo no mais ardente defensor do número 13. Enquanto para muitos o 13 estava associado ao azar, para o então lateral esquerdo, era um símbolo de sorte. Zagallo elogiava sua preferência pelo número, mas insistia que era simplesmente uma questão de fé. A 13 de janeiro de 1955, Zagallo casou-se com Alcina, e o número da camisola consequentemente tornou-se o mesmo. Costumava dizer: “São coisas de Santo António, devoção e Fé não são superstição.”


Conhecido como “O Velho Lobo”, foi uma figura fundamental na história do futebol brasileiro, a sua ligação com a seleção canarinha inicou-se década de 1950, participou nos Mundiais de 1958 e 1962, conquistando dois títulos consecutivos. Zagallo será sempre lembrado pela história por ter sido a primeira pessoa a conquistar o Mundial como jogador e como treinador.
A rivalidade de Zagallo com o lendário Eusébio, ícone do futebol português, é digna de nota. Os dois protagonizaram duelos memoráveis.


No auge da carreira de Eusébio, e com Zagallo fazendo já parte da equipa técnica do Escrete, os dois travaram aquele que foi o seu mais importante confronto. A partida entre Brasil e Portugal pelos quartos-de-final de 1966 ficou marcada por uma atuação brilhante de Eusébio e Portugal venceu por 3-1 em Goodison Park, o estádio do Everton de Liverpool. Até ao fim, o Pantera Negra referiu-se àquele jogo com uma das suas melhores recordações desportivas.


A ligação entre Zagallo e Pelé foi também uma das parcerias mais importantes de sempre do futebol, juntos venceram o Mundial como jogadores em 1958 e 1962. Em 1970, levantaram de novo a Taça Jules Rimmet, sendo o “Zaga”, como era conhecido na altura, desta vez o treinador da equipa. Foi ainda membro da equipa técnica da Seleção Brasileira que venceu o Mundial de 1994 no Rose Bowl na Califórnia. Ficava assim para sempre na história do futebol ao ter 4 títulos mundiais no seu palmarés, para além de 6 participações.


BECKENBAUER
der KAIZER


Franz Beckenbauer foi um jogador que com sua maneira elegante de jogar foi “baptizado” de “Der Kaiser”, que ganhou o Mundial como jogador e treinador. Beckenbauer teve a oportunidade de estar envolvido com todos os aspectos do futebol , desde os campos mais humildes aos escritórios luxuosos da FIFA em Zurique, onde geralmente saía vitorioso. Sem qualquer experiência como treinador, levou a Alemanha Ocidental a duas finais do Mundial. Foi uma lenda do Bayern de Munique e capitão da Alemanha Ocidental, liderando o país em 50 de suas 103 partidas internacionais. Ganhou o prémio Ballon d’Or duas vezes, foi ainda companheiro de equipa de Pelé no New York Cosmos e o homem que deu a cara para levar o Mundial para a Alemanha em 2006. No entanto, o seu papel como administrador na FIFA foi manchado por alegadas suspeitas de corrupção.
A invenção da posição de líbero, um defesa que participa no ataque, é atribuída a Beckenbauer que dizia: “O meu estilo era muito incomum naquela época, porque um defesa era um defesa, um médio era médio, e um avançado, um avançado”, disse numa entrevista feita em Munique em 2011, “Comecei como avançado, tinha a mentalidade de jogar como avançado, mas o meu treinador disse para jogar na defesa. Continuo a acreditar até hoje que a minha melhor posição era mesmo no ataque.”
Quando se juntou ao Bayern em 1964, o clube estava longe de ser o gigante da Alemanha que é hoje. O Bayern nem sequer tinha qualidade para participar na Bundesliga inaugural de 1963. A ascensão do Bayern a uma superpotência europeia teve muito a ver com Beckenbauer e os seus companheiros, como por exemplo, o guarda-redes Sepp Maier, Paul Brietner, Gerd Mueller, Uli Hoeness e Georg Schwarzenbeck. Todos eles foram moldados e tinham a mentalidade que lhes foi incutida pelo treinador Checo Tschik Cajkovski. “Ele, Cajkovski, era muito positivo. Quando eu atacava, ele mandava outro jogador recuar. Na Itália, eles tinham o mesmo sistema, mas o líbero nunca cruzava a linha do meio-campo. A ideia de um defensa atacante basicamente veio do italiano Giacinto Facchetti. Mas como ele era um lateral esquerdo, só podia subir por um lado do campo. Mas eu podia ir para a esquerda, direita e centro. Poderia se dizer que Facchetti foi meu mentor”, afirmou Beckenbauer enquanto saboreava um copo de vinho (a sua bebida favorita), na entrevista na Allianz Arena do Bayern de Munique.
Estudou para ser agente de seguros “porque isso parecia um futuro promissor”. Pela mesma razão, os pais de Zagallo fizeram com que fosse estudar contabilidade.

TRAJETÓRIAS PARALELAS

Zagallo e Beckenbauer compartilharam um respeito mútuo e uma paixão pelo futebol que ultrapassou fronteiras.
Através das suas trajetórias paralelas, e embora representando Nações e épocas diferentes, mostraram que o desporto é uma linguagem universal que une as pessoas.
O futebol mundial está mais pobre com a perca destas duas lendas.
Mário Zagallo e Franz Beckenbauer contribuíram significativamente para o deselvolvimento do desporto que amavam, deixando um legado que inspirará as gerações vindouras.
As suas conquistas, rivalidades e contribuições são o garante da lembrança eterna futebol mundial, tal como duas lendas do futebol, Eusébio que nos deixou em Janeiro à 10 anos, e Pelé no fim de dezembro de 2002.
Didier Deschamps recentement afirmou: “Foi com grande tristeza que soube da morte de Franz Beckenbauer. A sua morte ocorre apenas alguns dias após a de Mário Zagallo. Foi uma honra imensa para mim juntar-me a ambos em 2018 entre aqueles que conquistaram o Mundial como jogador e depois como treinador.”


Descansem em paz, Eternos Campeões.


Roberto Silva

Leave a Reply

Back to top button