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Sónia Gonçalves de Sousa

Uma história de sofrimento e resignação

Sónia Gonçalves de Sousa, 55 anos, nasceu em Luanda, Angola a 7 de Julho de 1968. A Mãe, Sra. Clara, era Enfermeira, mas natural de Vilarinho do Tanha no distrito de Vila Real, uma aldeia encravada num vale de difícil acesso na bacia do Douro.
Aos seis anos de idade a Sónia foi atropelada e, possivelmente, abandonada, “a hit and run” , que a deixou marcada para o resto da vida.


Num tempo em que os cuidados médicos, especialmente a fisioterapia, não eram tão aperfeiçoados como hoje, a Sónia foi crescendo mas foi ficando progressivamente deficiente até estabilizar numa cadeira de rodas, o seu meio de locomoção actual.
Entretanto, vítima de um cancro a Mãe morreu, mas tinha entregue a Sónia a uma instituição, um lar para pessoas com deficiência em Kensigton, de nome St. Giles, onde ela reside há 20 anos, cuidada com carinho e respeito pelo pessoal da instituição. Apesar de alguma autonomia, a Sónia precisa de cuidados constantes. A sua vida circunscrita à cadeira de rodas e aos muros da instituição é um calvário de limitações que ela vive com resignação e esperança.
Os seus olhos tristes e as suas limitações inspiram compaixão e admiração. Quando a resposta a uma pergunta é demasiado difícil, ou não consegue articular as palavras, ela diz simplesmente: “eu não sei…”
Em 2014, de Portugal, foi pedido ao agora Monsenhor Carlos Gabriel, que a localizasse, o que fez com diligência e sucesso e a partir desse ano começou a visitá-la regularmente até 2017, ano em deixou a África do Sul. A Sónia gosta de chocolates e todas as visitas recebia chocolates ou fruta, mais saudável para a sua condição de saúde, a conselho dos seus cuidadores.
Tive oportunidade de visitar a Sónia juntamente com o Monsenhor que me conduziu a St. Giles e ma apresentou. Fiquei impressionada com a condição da Sónia, mas ao mesmo tempo com a sua resiliência, esforço de falar Português com muita dificuldade, mas perceptível. Acontece que Carlos Gabriel não visitou só a Sónia enquanto cá esteve, continua a visitá-la todas as vezes que vem a Johannesburg e a Benoni, à sua Igreja de eleição, a Igreja de Nossa Senhora de Fátima, o que a Sónia e a Secretária da Instituição confirmaram.
O humanismo deste homem não se manifestou só com as vítimas do crime, a quem dedicou parte do seu ministério pastoral, mas a outros doentes e necessitados de carinho e atenção. A Sónia não é visitada por mais ninguém se não por pessoas de bem-fazer e pelo agora Monsenhor, quando esta entre nós . O entusiamo com que a Sónia o cumprimenta e abraça quando ele chega, o brilho nos seus olhos e a sua tristeza quando ele sai, que eu testemunhei presencialmente, são a prova evidente de que este nosso compatriota, o Padre Gabriel, como o chama a Sónia, é uma luz que brilha no horizonte e na sua vida. Apesar desta indesmentível observação, Carlos Gabriel nunca fez destas visitas despercebidas, cavalo de batalha e motivo de publicidade, dando cumprimento à passagem do Evangelho que diz: “o que fizeres com a mão direita não o saiba a esquerda” ou “quando deres um banquete convida aqueles que te não possam convidar, os pobres, estropiados e os aleijados”. Serás então feliz, porque o Pai do Céu te dará a recompensa.


Idalina Henriques

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