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Igreja Nª Srª de Fátima em Benoni – 75 anos

“A origem desta Igreja está na solidez da fé e tradições religiosas de um povo que deixou a sua terra, a Madeira em Portugal, à procura de um futuro melhor. A vontade de continuarem a viver e expressar a sua fé levou a que as autoridades religiosas abrissem uma missão na África do Sul, donde nasceu a primeira Igreja Portuguesa na África do Sul.”


A começar este artigo sobre os três quartos de século de vida desta Igreja, nada melhor que transcrever um parágrafo do prefácio do livro comemorativo dos 50 anos, um estudo realizado pelo recém-chegado (1996), Padre Carlos Gabriel, em estreita colaboração Irmã Clarissa Maria de Sousa, Silvino Augusto Oleastro (falecidos) e Goretti Helena.
História da fundação da Igreja remonta ao começos dos anos 40, nessa altura para além da Comunidade oriunda da Ilha da Madeira que de acordo com o documento dos 50 anos da Igreja, eram pouco mais de 7.000, encontravam-se por cá a trabalhar nas minas em Nigel; Springs; Benoni; Kempton Park; Boksburg, 100.000 mineiros oriundos de Moçambique.

Padre Carlos Tomaz Camacho

Os mineiros que viviam fechados nos seus bairros sujeitos a um controle rigoroso, os madeirenses que queriam seguir a sua religião na sua língua, as leis de segregação raciais da altura levavam a grandes descriminações, foram a pedra fundamental para que um ilustre filho da Madeira, D. Teodósio Clemente de Gouveia ao tomar conhecimento da realidade, não ficasse de braços cruzados.
Numa deslocação a Lisboa, no ano de 1938/9, levou junto do então Ministério das Colónias a necessidade de se fundar uma Missão Católica no Transvaal, na então União da África do Sul, todo este movimento abriu as portas para que fossem derrubadas barreiras.



No dia 1 de Setembro de 1944, é assinado o contracto de compra do talhão 25, ao longo da estrada entre Benoni e Kempton Park em Breetwood Park, para ser criada a Missão Católica Portuguesa no East Rand, como a Missão estava ser regida debaixo das ordens da Diocese de Maputo (Lourenço Marques), começou-se logo a formular o projecto da nova Igreja na África do Sul, que foi entregue a arquitecto, renome Carlos dos Santos.

Depois de uma grande chuvada, o que ainda hoje é normal por estes lados, pelas 15h00 foi lançada a primeira pedra, para a primeira Igreja Portuguesa em terras sul-africanas, e Igreja de Nossa Senhora de Fátima, a cerimónia teve lugar a 16 de Dezembro de 1945, a bênção foi dada pelo Vigário Apostólico do Transvaal, D. David O’Leary, e


Padre Carlos Tomaz Camacho, responsável pela assistência portuguesa religiosa e o grande impulsionador “que de mãos vazias e com o coração em brasa foi batendo de porta em porta avançando pelos ‘shops’, calcorreando caminhos desconhecidos pelas ‘farm’, ignorando remoques seguiu sempre em frente” é assim que este padre foi descrito em 1945 pelo Cónego Damasceno de Sousa.

Depois de uma grande chuvada, o que ainda hoje é normal por estes lados, pelas 15h00 foi lançada a primeira pedra, para a primeira Igreja Portuguesa em terras sul-africanas, e Igreja de Nossa Senhora de Fátima, a cerimónia teve lugar a 16 de Dezembro de 1945, a bênção foi dada pelo Vigário Apostólico do Transvaal, D. David O’Leary, e Padre Carlos Tomaz Camacho, responsável pela assistência portuguesa religiosa e o grande impulsionador “que de mãos vazias e com o coração em brasa foi batendo de porta em porta avançando pelos ‘shops’, calcorreando caminhos desconhecidos pelas ‘farm’, ignorando remoques seguiu sempre em frente” é assim que este padre foi descrito em 1945 pelo Cónego Damasceno de Sousa.
Começa a azáfama de limpar todo o terreno e no mês de Novembro de 1948, é inaugurada a Igreja de Nossa Senhora de Fatima em Benoni.
Com o 25 de Abril de 1974, dá-se a independência das então Colónias Portuguesas no ano seguinte, 1975, a Igreja que até ai era regida pela Diocese em Moçambique, passa para a Diocese de Johannesburg, em troca e para tranquilizar a Comunidade Portuguesa “o Bispo de Johannesburg D. Reginald Orsmond como ‘paga’ da nova propriedade, ofereceu ao Arcebispado de Maputo materiais de construção” ficou registado em declaração que a Igreja e todo o espaço seria usado para trabalho pastoral da diocese com a Comunidade Portuguesa.

Monsenhor Carlos Gabriel
D. Reginald J. Orsmond


Muitas coisas se foram criando ao longo dos anos, muitas festas foram realizadas, foram elas as grandes ‘fontes’ de angariação de fundos para o crescimento e vida da Igreja, nasce a Confraria do Santíssimo Sacramento, e em 1954 e das Zeladoras do Apostolado de Oração 1967.
Até que a 21 de Maio 1996, chega o Padre Carlos Gabriel, um homem de visão, começa por se inteirar da vida de uma Igreja próxima a fazer 50 anos, cria uma comissão organizadora para a celebração das boas de Ouro a terem lugar em 1998, com o trabalho e dedicação de todos tudo é levado a bom ‘porto’, é graças a esse trabalho que foi possível escrever este artigo da vida da Paroquia, com a consulta do livro editado na altura.
Este Padre chega pouco tempo depois do fim do apartheid, em 1991, depara-se com uma lista assustadora de vítimas portuguesas do crime, no ano da sua chegada o flagelo continua. Tempo árduo para quem tem que cumprir com o seu dever e, é um ser humano com coração, lança o ‘grito’, acontece a marcha em 2000, muito contestada por alguns senhores, apoiado pela Comunidade Portuguesa e não só, no ano seguinte em 2001, a 3 de Junho, é erigido o Memorial em homenagem às vítimas do crime no Salão Paroquial, novamente com o apoio da Comunidade.
Durante 21 anos Padre Carlos Manuel Farinha Gabriel foi o responsável pela vida da Igreja Nossa Senhora de Fátima. Hoje os destinos desta Igreja Portuguesa com 75 anos de vida, tem desde Junho de 2017 o Padre Malcolm McLaren.
Na passagem do cinquentenário o Bispo de Johannesburg D. Reginald J. Orsmond, enviou a seguinte menagem a Comunidade Portuguesa “Johannesburg Diocese is varied in its Catholic population and one of our main treasures is our Portuguese-speaking Catholics. We are very proud to have them worshipping for 50 years in the Church of Our Lady of Fatima”.

Padre Malcolm MacLaren
D. Buti Thlhagale


Reitores que ao longo dos anos foram os responsáveis pela vida e crescimento da primeira Igreja Portuguesa na África do Sul Padres: Carlos Tomás Camacho, 1945/1961; como já referido foi este homem que teve sobre os seus ombros a tarefa de encontrar o local e depois angariar fundos; Francisco Abreu dos Reis Macedo, 1961/1966; Cónego Álvaro Firmino de Abreu, 1966/1974; Padre João de Freitas, 1975/ 1993; Cónego José Manuel de Freitas, 1993/1996; Carlos Manuel Farinha Gabriel, 1996/ 2017; Malcom McLaren, desde 2017.


Idalina Henriques

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